sexta-feira, novembro 28, 2003
Já cá não vinha há algum tempo. E hoje é a última vez que cá venho solteiro!
A próxima Viagem é daquelas sem retorno!
Navegar é preciso
A próxima Viagem é daquelas sem retorno!
Navegar é preciso
quinta-feira, novembro 13, 2003
Ainda antes da partida...
quarta-feira, novembro 12, 2003
Por diversos motivos (a maioria bons) as Viagens estarão de viagem por uns tempos. Voltarão logo que possível.
segunda-feira, novembro 10, 2003
Abri novamente o Livro ao acaso:
Artigo 2196.º - Cúmplice do testador adúltero
1. É nula a disposição a favor da pessoa com quem o testador casado cometeu adultério.
2. Não se aplica o preceito do número anterior:
a) Se o casamento já estava dissolvido, ou os cônjuges estavam separados judicialmente de pessoas e bens ou separados de facto há mais de seis anos, à data da abertura da sucessão;
b) Se a disposição se limitar a assegurar alimentos ao beneficiário.
Artigo 2196.º - Cúmplice do testador adúltero
1. É nula a disposição a favor da pessoa com quem o testador casado cometeu adultério.
2. Não se aplica o preceito do número anterior:
a) Se o casamento já estava dissolvido, ou os cônjuges estavam separados judicialmente de pessoas e bens ou separados de facto há mais de seis anos, à data da abertura da sucessão;
b) Se a disposição se limitar a assegurar alimentos ao beneficiário.
quarta-feira, novembro 05, 2003
Como não podia deixar de ser, os versos do Pessoa do dia são estes:
Sim, ser vadio e pedinte, como eu sou,
Não é ser vadio e pedinte, o que é corrente:
E' ser isolado na alma, e isso é que é ser vadio,
E' ter que pedir aos dias que passem, e nos deixem, e isso é que é ser pedinte.
Sim, ser vadio e pedinte, como eu sou,
Não é ser vadio e pedinte, o que é corrente:
E' ser isolado na alma, e isso é que é ser vadio,
E' ter que pedir aos dias que passem, e nos deixem, e isso é que é ser pedinte.
Passa-nos a vida à frente, todos os dias, e nem damos por isso...
Confesso que há pessoas a quem, no meu intímo, já considero amigas, mais até do que conhecidas, mesmo que com elas nunca tenha trocado mais do que um sorriso (e às vezes nem isso)...
São aquelas pessoas que todos os dias vejo e passeio com elas, partilhando o metro ou o passeio, comprando o jornal, pedindo o café... Não tenho qualquer afinidade, intimidade, interesse comum com elas, a não ser começarmos o dia juntos.
A primeira dessas pessoas (na verdade é mais do que uma, são pelo menos quatro) é o cego que todos os dias "pede a minha esmola e agradece a minha ajuda e a bondade de o auxiliar", batendo com a bengala branca um ritmo próprio e contando as passadas entre as carruagens. Nunca lhe dei dinheiro nenhum (nem sequer como o outro), nunca lhe falei, nem sequer troquei com ele um olhar comum e cúmplice pela ucraniana ou russa que, loura e de mini saia, congrega nas pernas todos os olhares do metro.
A segunda dessas pessoas a quem já sinto saudades por não ver é o rapaz que, de óculos e sorriso nos lábios, vende todos os dias a Cais na estação do Marquês. Também nunca lhe falei, não lhe sei o nome, nem sequer alguma vez lhe comprei o jornal. E no entanto, quando desco as escadas da estação, sei que o vou encontrar, ao cimo das escadas rolantes (e eu que subo sempre as escadas, carregado com a pasta e o chapéu de chuva), com a camisola amarela e um sorriso que ninguém (nem eu) retribui.
Compro frequentemente o jornal no mesmo quiosque. Troco todos os dias as mesmas palavras, troco moedas, troco trocos sobre o tempo, o Benfica, isto está mau... Também não lhe conheço o nome, nem onde mora, nem o que faz além dos trocos que trocamos.
E, no entanto, sem conhecer nenhuma destas pessoas, tenho com elas uma relação de amizade, não as conhecendo nem elas a mim...
Enfim, mais uma viagem.
Confesso que há pessoas a quem, no meu intímo, já considero amigas, mais até do que conhecidas, mesmo que com elas nunca tenha trocado mais do que um sorriso (e às vezes nem isso)...
São aquelas pessoas que todos os dias vejo e passeio com elas, partilhando o metro ou o passeio, comprando o jornal, pedindo o café... Não tenho qualquer afinidade, intimidade, interesse comum com elas, a não ser começarmos o dia juntos.
A primeira dessas pessoas (na verdade é mais do que uma, são pelo menos quatro) é o cego que todos os dias "pede a minha esmola e agradece a minha ajuda e a bondade de o auxiliar", batendo com a bengala branca um ritmo próprio e contando as passadas entre as carruagens. Nunca lhe dei dinheiro nenhum (nem sequer como o outro), nunca lhe falei, nem sequer troquei com ele um olhar comum e cúmplice pela ucraniana ou russa que, loura e de mini saia, congrega nas pernas todos os olhares do metro.
A segunda dessas pessoas a quem já sinto saudades por não ver é o rapaz que, de óculos e sorriso nos lábios, vende todos os dias a Cais na estação do Marquês. Também nunca lhe falei, não lhe sei o nome, nem sequer alguma vez lhe comprei o jornal. E no entanto, quando desco as escadas da estação, sei que o vou encontrar, ao cimo das escadas rolantes (e eu que subo sempre as escadas, carregado com a pasta e o chapéu de chuva), com a camisola amarela e um sorriso que ninguém (nem eu) retribui.
Compro frequentemente o jornal no mesmo quiosque. Troco todos os dias as mesmas palavras, troco moedas, troco trocos sobre o tempo, o Benfica, isto está mau... Também não lhe conheço o nome, nem onde mora, nem o que faz além dos trocos que trocamos.
E, no entanto, sem conhecer nenhuma destas pessoas, tenho com elas uma relação de amizade, não as conhecendo nem elas a mim...
Enfim, mais uma viagem.
E hoje já é quarta-feira...
Cortesia da S.
sexta-feira, outubro 31, 2003
É capaz de ser uma ideia engraçada...
A ventania lá fora desta manhã lembrou-me o Álvaro de Campos:
Tão vago é o vento que parece
Que as folhas fremem só por vida.
Dorme um calar em que se esquece.
Em que é que o campo nos convida?
Tão vago é o vento que parece
Que as folhas fremem só por vida.
Dorme um calar em que se esquece.
Em que é que o campo nos convida?
Só por ele escrever às 6.ªs feiras, vale a pena comprar o jornal. A crónica de hoje é outra daquelas que valem a pena guardar.
Para o fim de semana.
quinta-feira, outubro 30, 2003
Versos do Pessoa do dia:
O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
Por afazeres profissionais caiu-me nas mãos o jornal Novidades, de Quinta-feira, 6 de Julho de 1972.
Não resisto a transcrever uma pequena notícia no fundo da primeira página:
«Ministro da Educação
O ministro da Educação Nacional teve uma reunião conjunta de trabalho com os profs. António Maria Godinho e Arantes e Oliveira, respectivamente reitor e vice-reitor da Universidade Técnica de Lisboa; Fraústo da Silva e Cruz Vidal, directores dos Institutos Superiores Técnico e de Ciências Económicas e Financeiras; e Gonçalves de Proença, catedrático do segundo dos referidos institutos.
O prof. Veiga Simão recebeu os profs. Andrade Gouveia, da Faculdade de Ciências de Coimbra; Luís Sampaio, da Universidade de Lourenço Marques; e Mário Silva; o dr. Neto de Carvalho, director do Instituto de Estudos Sociais; e o eng. José Mariano Pires Gago.»
Não sei do que se tratou na reunião, mas aposto que não foi por causa das proprinas...
Não resisto a transcrever uma pequena notícia no fundo da primeira página:
«Ministro da Educação
O ministro da Educação Nacional teve uma reunião conjunta de trabalho com os profs. António Maria Godinho e Arantes e Oliveira, respectivamente reitor e vice-reitor da Universidade Técnica de Lisboa; Fraústo da Silva e Cruz Vidal, directores dos Institutos Superiores Técnico e de Ciências Económicas e Financeiras; e Gonçalves de Proença, catedrático do segundo dos referidos institutos.
O prof. Veiga Simão recebeu os profs. Andrade Gouveia, da Faculdade de Ciências de Coimbra; Luís Sampaio, da Universidade de Lourenço Marques; e Mário Silva; o dr. Neto de Carvalho, director do Instituto de Estudos Sociais; e o eng. José Mariano Pires Gago.»
Não sei do que se tratou na reunião, mas aposto que não foi por causa das proprinas...
A Carolina, enviada pelo Pai.
Caso houvesse alguma dúvida, a última (e a melhor) fotografia foi tirada por mim, numa das Viagens.
Para a C. e para o P., um grande abraço.
Caso houvesse alguma dúvida, a última (e a melhor) fotografia foi tirada por mim, numa das Viagens.
Para a C. e para o P., um grande abraço.
quarta-feira, outubro 29, 2003
terça-feira, outubro 28, 2003
segunda-feira, outubro 27, 2003
Parecem mesmo as nossas procissões...
Podia ter sido em Lisboa, na Estação do Rossio...
Faz hoje anos, é escorpião como eu.
Latinismo do dia:
Auream quisquis mediocritatem diligit, caret invidenda sobrius alta.
[Horácio, Carmina 2.10.5].
(Quem ama a preciosa mediocridade é sóbrio e evita os invejados palácios.)
Auream quisquis mediocritatem diligit, caret invidenda sobrius alta.
[Horácio, Carmina 2.10.5].
(Quem ama a preciosa mediocridade é sóbrio e evita os invejados palácios.)
Não paira vento, não há céu que eu sinta.
Chove longínqua e indistintamente,
Como uma coisa certa que nos minta,
Como um grande desejo que nos mente.
Chove. Nada em mim sente...
Chove longínqua e indistintamente,
Como uma coisa certa que nos minta,
Como um grande desejo que nos mente.
Chove. Nada em mim sente...
sexta-feira, outubro 24, 2003
Para o fim de semana:
Esta é a ditosa pátria minha amada,
À qual se o Céu me dá, que eu sem perigo
Torne, com esta empresa já acabada,
Acabe-se esta luz ali comigo.
Esta é a ditosa pátria minha amada,
À qual se o Céu me dá, que eu sem perigo
Torne, com esta empresa já acabada,
Acabe-se esta luz ali comigo.
Sugestão do dia, para aqueles que podem passar o serão em casa:
Gordon Matthew Sumner, esta noite, na RTP, à 00H50.
Gordon Matthew Sumner, esta noite, na RTP, à 00H50.
A piada de hoje ouvi-a ontem no Contra-Informação.
Faziam o julgamento do Sotto Moura; inquirido pelo Juiz (Sampaio) porque é que tinha autorizado a divulgação das conversas telefónicas do Ferro Rodrigues, responde o Réu (citação livre):
«Como ele disse que se estava cagando para o segredo de Justiça, pensámos que não se ia importar se se soubessem as conversas dele.»
Faziam o julgamento do Sotto Moura; inquirido pelo Juiz (Sampaio) porque é que tinha autorizado a divulgação das conversas telefónicas do Ferro Rodrigues, responde o Réu (citação livre):
«Como ele disse que se estava cagando para o segredo de Justiça, pensámos que não se ia importar se se soubessem as conversas dele.»
quarta-feira, outubro 22, 2003
Cortesia do E.:
No meio do trânsito, estão, lado a lado, um Mercedes com uma madame finíssima e um Fiat Uno bem velhinho, onde vai o Zé dos bigodes. O Zé grita, buzina, faz um escarcéu por causa do trânsito ... até que, a fina madame baixa o vidro e diz-lhe:
- Oh meu senhor, "A paciência é a mais nobre e gentil das virtudes!", Shakespeare, em "Macbeth".
O tipo do Uno não se intimida e revida:
- "Tou-me cagando pra essa merda!", Ferro Rodrigues, em "Processo da Casa Pia".
No meio do trânsito, estão, lado a lado, um Mercedes com uma madame finíssima e um Fiat Uno bem velhinho, onde vai o Zé dos bigodes. O Zé grita, buzina, faz um escarcéu por causa do trânsito ... até que, a fina madame baixa o vidro e diz-lhe:
- Oh meu senhor, "A paciência é a mais nobre e gentil das virtudes!", Shakespeare, em "Macbeth".
O tipo do Uno não se intimida e revida:
- "Tou-me cagando pra essa merda!", Ferro Rodrigues, em "Processo da Casa Pia".
Viagem ao jornal da república de hoje:
Portaria n.º 1231/2003, de 22 de Outubro:
Renova, por um período de 12 anos, a concessão da zona de caça associativa de Roliça e Pó (processo n.º 609-DGF), abrangendo vários prédios rústicos sitos nas freguesias de Roliça e Pó, município do Bombarral. Revoga a Portaria n.º 662/2003, de 30 de Junho.
Portaria n.º 1231/2003, de 22 de Outubro:
Renova, por um período de 12 anos, a concessão da zona de caça associativa de Roliça e Pó (processo n.º 609-DGF), abrangendo vários prédios rústicos sitos nas freguesias de Roliça e Pó, município do Bombarral. Revoga a Portaria n.º 662/2003, de 30 de Junho.
segunda-feira, outubro 20, 2003
Outra Viagem:
Acórdão n.º 5/2003 do Supremo Tribunal de Justiça:
Para o preenchimento valorativo do conceito de acto análogo à cópula a que se refere o artigo 201.º, n.º 2, do Código Penal de 1982, versão originária, é indiferente que tenha havido ao não emissio seminis.
Acórdão n.º 5/2003 do Supremo Tribunal de Justiça:
Para o preenchimento valorativo do conceito de acto análogo à cópula a que se refere o artigo 201.º, n.º 2, do Código Penal de 1982, versão originária, é indiferente que tenha havido ao não emissio seminis.
sexta-feira, outubro 17, 2003
Abri novamente o Livro ao acaso:
Artigo 1602.º - Impedimentos dirimentes relativos
São também dirimentes, obstando ao casamento entre si das pessoas a quem respeitam, os impedimentos seguintes:
a) O parentesco em linha recta;
b) O parentesco no segundo grau da linha colateral;
c) A afinidade em linha recta;
d) A condenação anterior de um dos nubentes, como autor ou címplice, por homicídio doloso, ainda que não consumado, contra o cônjuge do outro.
Artigo 1602.º - Impedimentos dirimentes relativos
São também dirimentes, obstando ao casamento entre si das pessoas a quem respeitam, os impedimentos seguintes:
a) O parentesco em linha recta;
b) O parentesco no segundo grau da linha colateral;
c) A afinidade em linha recta;
d) A condenação anterior de um dos nubentes, como autor ou címplice, por homicídio doloso, ainda que não consumado, contra o cônjuge do outro.
Link do dia: matemáticos ingleses...
Poema do Álvaro de Campos do dia:
O Binómio de Newton
O Binómio de Newton é tão belo como a Vênus de Milo.
O que há é pouca gente para dar por isso.
óóóó — óóóóóóóóó — óóóóóóóóóóóóóóó
(O vento lá fora.)
O Binómio de Newton
O Binómio de Newton é tão belo como a Vênus de Milo.
O que há é pouca gente para dar por isso.
óóóó — óóóóóóóóó — óóóóóóóóóóóóóóó
(O vento lá fora.)
quarta-feira, outubro 15, 2003
Viagem do dia ao Livro:
Artigo 558.º do Código Civil - Termos do cumprimento
1. A estipulação do cumprimento em moeda estrangeira não impede o devedor de pagar em moeda nacional, segundo o câmbio do dia do cumprimento e do lugar para este estabelecido, salvo se essa faculdade houver sido afastada pelos interessados.
2. Se, porém, o credor estiver em mora, pode o devedor cumprir de acordo com o câmbio da data em que a mora se deu.
Artigo 558.º do Código Civil - Termos do cumprimento
1. A estipulação do cumprimento em moeda estrangeira não impede o devedor de pagar em moeda nacional, segundo o câmbio do dia do cumprimento e do lugar para este estabelecido, salvo se essa faculdade houver sido afastada pelos interessados.
2. Se, porém, o credor estiver em mora, pode o devedor cumprir de acordo com o câmbio da data em que a mora se deu.
Passei por lá esta manhã: pareceu-me ver as mesmas pessoas...
Faz hoje quase 72 anos que este poema foi escrito: e é a mesma Lisboa e a mesma vida que vivemos...
Chove. Que fiz eu da vida?
Fiz o que ela fez de mim...
De pensada, mal vivida...
Triste de quem é assim!
Numa angústia sem remédio
Tenho febre na alma, e, ao ser,
Tenho saudade, entre o tédio,
Só do que nunca quis ter...
Quem eu pudera ter sido,
Que é dele? Entre ódios pequenos
De mim, estou de mim partido.
Se ao menos chovesse menos!
F. Pessoa, 23-10-1931
Chove. Que fiz eu da vida?
Fiz o que ela fez de mim...
De pensada, mal vivida...
Triste de quem é assim!
Numa angústia sem remédio
Tenho febre na alma, e, ao ser,
Tenho saudade, entre o tédio,
Só do que nunca quis ter...
Quem eu pudera ter sido,
Que é dele? Entre ódios pequenos
De mim, estou de mim partido.
Se ao menos chovesse menos!
F. Pessoa, 23-10-1931